sexta-feira, outubro 17, 2014

Uso da CAL VIRGEM agrícola em correção de solos com pastagens.

A CAL VIRGEM é um produto provindo da Calcinação de rochas (Rochas Carbonáticas). Seus Constituintes são o CaO (Óxido de Cálcio) e o MgO (Óxido de Magnésio) em decorrência da liberação do CO2 , quando aquecido de 800 a 1.000° C.
Com a hidratação dos óxidos são formadas as chamadas Bases Fortes, ou seja, Ca(OH)2 e Mg(OH)2.
Uma Base Forte coloca, de Imediato, todos os seus OH- no meio.
A Cal Virgem Agrícola, além de apresentar granulometria bastante fina, tem sua reatividade aumentada devido a sua natureza química (Bases Fortes). Portanto sua Reatividade é muito superior a 100%, podendo-se dizer que a reação desse pr
oduto é quase imediata (10 a 15 dias).

Apesar de pouco difundido pelos técnicos e pesquisadores a pesquisa já cita e orienta suas formas de uso, veja na tabela abaixo dados do BOLETIM 100:

Quadro 6.1. Valores mínimos, do poder de neutralização (PN) e da soma dos  teores de cálcio e de magnésio, exigidos pelo Ministério da Agricultura, e valores correspondentes com o uso do Sistema Internacional de Unidades

Material                     Poder de neutralização                 Soma de cálcio e magnésio
___________________________                        _____________________
Equiv. CaCO3             Mol                     CaO + MgO              Ca + Mg                                                     %         molc/kg                 %                     g/kg
Calcário moído                                     67          13                     38                     250
Calcário calcinado agrícola                    80           16                     43                    280
Cal virgem agrícola                          125          25                      68                    450
Cal hidratada agrícola                           94           19                     50                    330
Escória                                                60           12                      30                   200
Outros                                                 67           13                      38                   250

Mas foi a partir de 2010 a ALCANCE - Consultoria e Planejamento Rural iniciou a pratica de correções de solos com a CAL VIRGEM AGRÍCOLA (CVA).

Fato interessante e premeditado pela equipe de técnicos da ALCANCE, as recomendações para uso do produto fizeram com que as doses aplicadas não superassem doses de 10% de CVA para as mesmas doses referidas se fossem usadas o Calcário.

A explicação lógica estava embasada no alto poder de correção em curtíssimo espaço de tempo, o que não ocorre com o Calcário que mesmo em solos úmidos demanda 30 até 60 dias para atingir efeito significativo.

Apesar da pesquisa não acompanhar os resultados na mesma velocidade que as fazendas comerciais atingem, alguns estudos de casos comprovam sua efetividade técnica e econômica. Pra se ter uma simples idéia o produtor chega a economizar acima de 40% com essa tecnologia, pois a quantidade aplicada é 90% inferior e os custos de aplicação também são 90% inferiores, isso fora o tempo gasto com máquinas e operadores.

Estudo de caso projetos acompanhados pela ALCANCE:

Poupulina -SP, 75 hectares irrigados/adubados com capim Mombaça em solo Latossolo vermelho argiloso.
Doses de 170 a 190 kg por hectare.
Análise de solo antes da correção - data 01/08/2014
Resultado da análise de solo
Amostra A
Amostra B
M.O.
Mat.Orgânica
g/dm3
31
33
pH
pH
CaCl2
4,8
4,8
P
Fósforo Resina
mg/dm3
37
30
K
Potássio
mmolc/dm3
2,9
3,7
Ca
Cálcio
mmolc/dm3
45
46
Mg
Magnésio
mmolc/dm3
17
19
Al
Alumínio
mmolc/dm3
< 1
< 1
H
Hidrogênio
mmolc/dm3
75
68
H + Al
Hidr.+Alumínio
mmolc/dm3
75
68
SB
Soma de Bases
mmolc/dm3
64,9
68,7
CTC
C.T.Cations
mmolc/dm3
139,9
136,7
V%
Sat.por Bases
%
46
50
m%
Sat.por Al
%
0
0
S-SO4
Enxofre
mg/dm3
42
52


Análise de solo antes da correção - data 11/09/2014 (30 dias após aplicação)
Resultado da análise de solo
Amostra A
Amostra B
M.O.
Mat.Orgânica
g/dm3
33
33
pH
pH
CaCl2
5,6
4,8
P
Fósforo Resina
mg/dm3
30
28
K
Potássio
mmolc/dm3
3,7
4,7
Ca
Cálcio
mmolc/dm3
66
69
Mg
Magnésio
mmolc/dm3
23
26
Al
Alumínio
mmolc/dm3
< 1
< 1
H
Hidrogênio
mmolc/dm3
33
34
H + Al
Hidr.+Alumínio
mmolc/dm3
33
34
SB
Soma de Bases
mmolc/dm3
92,7
99,7
CTC
C.T.Cations
mmolc/dm3
118,7
125,7
V%
Sat.por Bases
%
72
73
m%
Sat.por Al
%
0
0
S-SO4
Enxofre
mg/dm3
6
4

Observem que os níveis de Cálcio e Magnésio aumentaram junto com a elevação do pH e V% comprovando a correção do solo e elevação dos macro nutrientes Cálcio e Magnésio.

Inúmeros projetos acompanhados pela ALCANCE usam essa tecnologia a mais de 6 anos com excelência e economia.

Fica a dica ao produtor/investidor que demanda de correção de solo.
att
Tiago Felipini - equipe ALCANCE.

segunda-feira, setembro 01, 2014

Porque usar Calcário ou corrigir o pH e saturação por base do solo?

Já a algum tempo venho estudando e cobiçando a publicação desse artigo, não é de menos, pois a media dos produtores rurais e grande massa dos técnicos extensionistas acreditam que é possível produzir muito nos solos tropicais com baixo investimento na correção dos níveis de pH e concentração de Cálcio/magnésio no perfil do solo.

Se colocarmos na ponta do lápis, ou melhor, fazer a conta do real aproveitamento dos nutrientes que o solo possui e que serão aplicados, a calagem (aplicação de calcário para correção de pH do solo) surpreende na economia que gera ao aumentar o aproveitamento dos nutrientes.

Vejamos alguns dados clássicos que a pesquisa já desmitificou:


Tabela 1 - Estimativa da variação percentual de assimilação dos principais nutrientes pelas
                   plantas em função do pH do solo.




PH



Nutriente
4,5
5,0
5,5
6,0
6,5
7,0



%



Nitrogênio
20
50
75
100
100
100
Fósforo
30
32
40
50
100
100
Potássio
30
35
70
90
100
100
Enxofre
40
80
100
100
100
100
Cálcio
20
40
50
50
83
100
Magnésio
20
40
50
50
80
100
Média
26,7
46,2
64,2
73,3
93,8
100,0
Fonte: LOPES (1984)

Na citação acima, LOPES já na década de 80 comprova um dos maiores benefícios da Calagem que é o aumento do aproveitamento dos nutrientes Macros como Potássio/Fósforo/Enxofre. Mas isso só ocorre quando o pH medido em Cloreto de Cálcio atinge níveis acima 6,0 permitindo o aproveitamento médio dos nutrientes acima 73,3% chegando até 100%.

Ou seja, solos onde o pH estiver abaixo de 6,0 o aproveitamento dos nutrientes existentes no solo podem ser inferiores a 70%. Isto pode significar que o custo da adubação em solos com pH sem correção adequada pode exceder aumentos de até 70% já que os nutrientes aplicados não serão aproveitados pela planta.

Em pastagens adubadas com altos níveis de nitrogênio, Uréia por exemplo, a calagem também é muito importante devido ao efeito acidificante das principais fontes deste nutriente. Veja o que a pesquisa demonstra logo abaixo:

Tabela 2 - Necessidade de calagem para cada 100 Kg de fertilizante nitrogenado aplicado.

                         Fonte
                   Kg de calcário/100 Kg
                Sulfato de amônio
                               110
                Nitrato de amônio
                                 62
                         Uréia
                                 71
                  Amônia anidra
                                147
                      Nitrocálcio
                                  26

As fontes de N mais usadas no Brasil são a Uréia e o sulfato de amônio e estas estão entre as fontes com maior efeito acidificante, como se observa na tabela acima.

Fica claro que a correção do pH do solo é uma necessidade e influencia diretamente o custo de produção das pastagens tropicais.

O monitoramento do pH em solos adubados frequentemente é quesito precioso quando o produto rural necessita economizar recursos próprios e gerar maiores receitas para o seu negócio.

Adubações em solos com níveis de pH abaixo de 6,0 são respondíveis na prática, no entanto o aproveitamento do investimento pode ser reduzido para níveis abaixo de 30% o que torna anti-econômico e inviabiliza o negócio no médio prazo.

Tiago Felipini
Equipe ALCANCE Consultoria e planejamento rural.