quarta-feira, outubro 21, 2026

Qual capim usar na TIP? Zootecnista explica o que realmente importa

Qual capim usar na TIP? Zootecnista explica o que realmente importa

A Terminação Intensiva a Pasto, a famosa TIP, vem ganhando espaço nas fazendas brasileiras por unir o melhor de dois mundos: o pasto como base volumosa e o concentrado no cocho para acelerar o ganho de peso. Mas uma dúvida aparece com frequência entre os pecuaristas: qual é o melhor capim para esse sistema?

Foi exatamente essa a pergunta enviada por Luiz Carlos Guarnieri, produtor de Bandeirantes (MS), ao quadro Giro do Boi Responde. Quem respondeu foi o zootecnista Tiago Felipini, e a orientação pode surpreender muita gente.

Assista à resposta completa do zootecnista Tiago Felipini no vídeo acima.

O melhor capim é o que você já tem

Segundo Felipini, não é preciso sair trocando a pastagem para fazer TIP. O capim que já está formado na fazenda pode funcionar muito bem, desde que o manejo seja feito pela altura correta de entrada e saída dos animais.

A lógica é simples: quando o boi entra no piquete na altura certa, ele consome principalmente a ponta das folhas, que é a parte mais nova, mais digestível e mais rica em nutrientes. Esse volumoso de qualidade trabalha em conjunto com o concentrado oferecido no cocho, melhorando o desempenho do lote.

E quando o pasto precisa de reforma?

Se a área estiver degradada e for necessário formar uma nova pastagem, aí sim a escolha da forrageira merece atenção. O especialista deixou quatro recomendações:

1. A altura de manejo vem em primeiro lugar
Seja em pastejo rotacionado ou contínuo, respeitar as alturas de entrada e saída indicadas pela pesquisa é o fator mais decisivo para o sucesso da TIP. Isso pesa mais do que a própria espécie de capim.

2. Prefira as braquiárias
Para novas formações, cultivares como Marandu, Piatã e Decumbens são as mais indicadas. Elas oferecem ótima relação custo-benefício e perdem menos produção quando a temperatura começa a cair.

3. Atenção com o Panicum em regiões mais frias
Capins do gênero Panicum, como Mombaça, Zuri e Quênia, são produtivos, mas sensíveis ao frio. Em locais onde a temperatura média do inverno fica abaixo de 19 °C, eles praticamente param de crescer e deixam de emitir folhas novas, mesmo com solo úmido e bem adubado. Isso compromete a oferta de forragem justamente num período crítico.

4. Tifton e Jiggs para módulos intensivos
As gramas do gênero Cynodon, como Tifton 85 e Jiggs, são as que menos sofrem com o frio e entregam forragem de altíssima qualidade. O ponto de atenção é o custo de implantação, já que o plantio é feito por mudas. Por isso, são boas opções para áreas menores e mais intensificadas.

Conclusão

Na TIP, não existe capim milagroso. O resultado vem da combinação entre manejo correto da altura do pasto e escolha de uma forrageira adaptada ao clima da região. Com isso, o pecuarista aproveita ao máximo o potencial da pastagem, reduz a quantidade de ração necessária e garante mais rentabilidade na terminação.

Fonte: Giro do Boi / Canal Rural, com orientação do zootecnista Tiago Felipini.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Quantas Cabeças de Gado Cabem em um Hectare na Terminação Intensiva a Pasto (TIP)?

A adoção da Terminação Intensiva a Pasto (TIP) consolidou-se como uma das alternativas mais eficientes para engordar bovinos no período seco ou nas águas, sem a necessidade de investir em estrutura física de confinamento tradicional. No quadro Giro do Boi Responde, o zootecnista e especialista em nutrição de ruminantes Tiago Felipini atendeu ao questionamento enviado pelo pecuarista Joaquim Teixeira, de Malacacheta (MG).

O produtor mineiro perguntou quantas cabeças de gado cabem por hectare em seu projeto de TIP e quais fatores determinam a capacidade de suporte da área: a metragem do cocho ou a massa do pasto.

Taxa de lotação: entre 8 e 10 cabeças por hectare

O especialista esclareceu que a taxa de lotação em um sistema de TIP pode variar conforme as condições da pastagem. Em geral, a média recomendada oscila entre 8 e 10 cabeças por hectare. No entanto, esse número não é fixo: em piquetes com alta disponibilidade de massa foliar, boa densidade e forragem de alta qualidade, é possível elevar a lotação.

Por outro lado, em pastos degradados, com baixa proporção de folhas ou com forragem mais encerada e seca, a capacidade de suporte diminui e a taxa de lotação deve ser reduzida para não comprometer o desempenho dos animais.

A qualidade do pasto dita a rentabilidade

Embora o alimento concentrado fornecido no cocho responda pela maior parte da densidade energética da dieta, o zootecnista enfatizou que é a qualidade do pasto que dita o sucesso econômico da operação:

  • Economia de ração: pastos com boa oferta de massa e alta digestibilidade foliar permitem que o animal aproveite a fibra da forragem de forma eficiente, reduzindo a necessidade de consumo de concentrado.
  • Aumento do Ganho Médio Diário (GMD): a combinação de pasto de boa qualidade com a ração de terminação acelera o ganho de peso e o acabamento de gordura na carcaça.
  • Maior rentabilidade: quanto melhor a oferta de forragem na área de TIP, menor é o custo por arroba engordada e maior é a margem de lucro na venda do lote para o frigorífico.

Cocho bem dimensionado, mas o pasto decide

A metragem de cocho deve ser dimensionada adequadamente — cerca de 30 a 40 centímetros lineares por cabeça — para evitar competição entre os animais. Ainda assim, o fator decisivo para definir a lotação final por hectare continua sendo a capacidade de suporte da pastagem. Monitorar a altura de entrada e saída do piquete garante o máximo aproveitamento da TIP com o menor custo nutricional possível.

Conclusão

Na Terminação Intensiva a Pasto, não é o cocho que define quantos animais a área comporta, mas sim a oferta e a qualidade da forragem. Ajustar a taxa de lotação à realidade de cada piquete é o que garante o melhor desempenho dos animais e protege a margem financeira do pecuarista, transformando o pasto no principal aliado da engorda.

Tem alguma dúvida sobre o manejo da sua fazenda? Deixe seu comentário e participe do Giro do Boi Responde.

quarta-feira, setembro 02, 2026

Soja na suplementação causa problemas no casco do gado? Especialista responde

Zootecnista Tiago Felipini esclarece se o farelo e o grão de soja têm relação com deformações e claudicações no rebanho — ou se a causa está em outro fator.

A utilização de grãos e coprodutos na nutrição de bovinos de corte é uma prática essencial para acelerar o ganho de peso e encurtar o ciclo de terminação. No entanto, o surgimento de claudicações e o crescimento anormal dos cascos em lotes suplementados frequentemente levantam dúvidas sobre a segurança dos ingredientes utilizados na dieta.

No quadro Giro do Boi Responde, o zootecnista e especialista em nutrição animal Tiago Felipini atendeu ao questionamento do pecuarista Leandro Fortes, morador de Boa Vista (RR). O telespectador perguntou se é mito ou verdade que os componentes derivados da soja na suplementação causam problemas e deformações nos cascos do rebanho.

Mito ou verdade?

Conforme explicou o especialista, trata-se de um mito. O uso de farelo de soja ou grão de soja na dieta não possui qualquer correlação direta — seja química ou biológica — com o crescimento excessivo ou a deformação das unhas dos bovinos.

O que realmente causa o problema

O que ocorre nesses cenários é um quadro de laminite (inflamação das lâminas sensíveis do casco), provocado por falhas na formulação e no manejo da Ração Total Misturada (TMR), e não pela presença da leguminosa em si.

Em outras palavras, a atenção do produtor deve estar voltada para o equilíbrio da dieta e o manejo nutricional adequado, garantindo uma transição alimentar correta e o balanceamento da ração. Assim, é possível aproveitar todo o potencial da soja como fonte proteica sem comprometer a saúde dos cascos do rebanho.


segunda-feira, agosto 24, 2026

Cria Intensiva a Pasto

A Cria Intensiva a Pasto é uma estratégia que busca aumentar a eficiência da pecuária, utilizando de forma adequada as pastagens e o manejo do rebanho.
Confira o vídeo e conheça mais sobre essa estratégia de produção:

Acompanhe o Alcance Rural para mais conteúdos sobre pecuária, manejo, pastagens e produção rural.
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terça-feira, agosto 11, 2026

🌽 SILAGEM DE MILHO IRRIGADO: Como Produzir Mais e com Melhor Qualidade!

🌽 Silagem de Milho Irrigado

Neste vídeo você vai aprender tudo sobre silagem de milho irrigado: do plantio à ensilagem, com dicas práticas para maximizar a produção e garantir um volumoso de alta qualidade para o seu rebanho.

✅ O que você vai aprender

  • Por que o milho irrigado produz silagem superior
  • Ponto ideal de corte para maior valor nutritivo
  • Como a irrigação influencia a produção de massa e amido
  • Erros comuns que reduzem a qualidade da silagem
  • Dicas para compactação e vedação do silo
🐄 Uma silagem bem feita é sinônimo de menos custo com ração e mais desempenho animal. Não perca essa aula!

Giro do Boi 🐄 | Calor e Pouca Chuva: Quando Suplementar o Gado? | Zootecnista Orienta

🐄 Quando começar a suplementação do gado na seca?

No período de seca e calor intenso, o pasto perde qualidade e o gado sofre. Mas afinal, quando é o momento certo de começar a suplementação? Neste vídeo, o zootecnista explica tudo que você precisa saber para não perder dinheiro e manter o desempenho do rebanho.

✅ O que você vai aprender

  • Sinais de que o pasto já não está sustentando o gado
  • Quando iniciar a suplementação mineral, proteica e energética
  • Como o calor afeta o consumo e o metabolismo do animal
  • Estratégias práticas para reduzir custos sem perder produção
🌡️ Com temperaturas altas e chuva escassa, esperar demais pode custar caro. Assista até o final e tome a decisão certa para o seu rebanho!

quarta-feira, agosto 05, 2026

Farelo de Algodão e Sorgo Vão Melhor na Dieta da Recria ou da Engorda?

A escolha assertiva dos ingredientes da ração é um passo fundamental para otimizar o ganho de peso e garantir a margem financeira na pecuária intensiva. Durante o quadro "Giro do Boi Responde", o zootecnista e especialista em nutrição de ruminantes Tiago Felipini atendeu às dúvidas enviadas pelo pecuarista Diogo Marques, de Costa Marques, em Rondônia. O criador, que atua nas etapas de recria e terminação, buscou orientações sobre quais categorias respondem melhor ao uso do sorgo moído e do farelo de algodão. ENGORDA: O DESTINO IDEAL PARA SORGO E FARELO DE ALGODÃO Em sua análise técnica, o zootecnista recomendou que a combinação entre o sorgo triturado e o farelo de algodão seja direcionada prioritariamente para os lotes de engorda. Essa estratégia justifica-se pelo estágio de desenvolvimento fisiológico dos bovinos nas fases iniciais. Na recria, o sistema digestivo e a flora ruminal ainda estão em processo de estruturação, demandando ingredientes com índices mais elevados de digestibilidade e aproveitamento de nutrientes no cocho. Já os animais em fase de terminação possuem um rúmen plenamente desenvolvido, com microbiota estabilizada e capacidade fermentativa consolidada, o que permite extrair o máximo valor nutricional de insumos como o sorgo e o farelo de algodão. MATURIDADE RUMINAL: O FATOR DECISIVO A recomendação do especialista se fundamenta na fisiologia digestiva dos ruminantes. Animais jovens, em fase de recria, ainda estão formando as papilas ruminais e colonizando o ambiente ruminal com os microrganismos responsáveis pela fermentação da fibra e do amido. Quando se oferece ingredientes que exigem maior capacidade de processamento ruminal para animais com o trato digestivo ainda imaturo, o aproveitamento dos nutrientes fica abaixo do potencial. O resultado é desperdício de insumo e ganho de peso aquém do esperado. CUSTO-BENEFÍCIO NA NUTRIÇÃO ESTRATÉGICA A orientação técnica reforça um princípio central da nutrição de precisão: o insumo certo na fase certa. Direcionar o farelo de algodão e o sorgo para a engorda não significa que esses ingredientes sejam ruins, pelo contrário. São insumos com excelente relação custo-benefício quando utilizados em animais com plena capacidade de aproveitamento. Na prática, essa estratégia permite ao pecuarista: • Maximizar a conversão alimentar nos lotes de terminação • Evitar desperdício nutricional na recria • Ajustar o custo da dieta conforme a resposta biológica de cada categoria • Proteger a margem financeira com uso racional dos insumos disponíveis CONCLUSÃO O uso estratégico dos ingredientes, respeitando a maturidade fisiológica de cada categoria, é o que diferencia a pecuária eficiente daquela que apenas consome ração sem retorno proporcional. Sorgo e farelo de algodão são aliados poderosos na engorda, onde o rúmen está pronto para extrair cada grama de nutriente disponível.