Zootecnista Tiago Felipini esclarece se o farelo e o grão de soja têm relação com deformações e claudicações no rebanho — ou se a causa está em outro fator.
A utilização de grãos e coprodutos na nutrição de bovinos de corte é uma prática essencial para acelerar o ganho de peso e encurtar o ciclo de terminação. No entanto, o surgimento de claudicações e o crescimento anormal dos cascos em lotes suplementados frequentemente levantam dúvidas sobre a segurança dos ingredientes utilizados na dieta.
No quadro Giro do Boi Responde, o zootecnista e especialista em nutrição animal Tiago Felipini atendeu ao questionamento do pecuarista Leandro Fortes, morador de Boa Vista (RR). O telespectador perguntou se é mito ou verdade que os componentes derivados da soja na suplementação causam problemas e deformações nos cascos do rebanho.
Mito ou verdade?
Conforme explicou o especialista, trata-se de um mito. O uso de farelo de soja ou grão de soja na dieta não possui qualquer correlação direta — seja química ou biológica — com o crescimento excessivo ou a deformação das unhas dos bovinos.
O que realmente causa o problema
O que ocorre nesses cenários é um quadro de laminite (inflamação das lâminas sensíveis do casco), provocado por falhas na formulação e no manejo da Ração Total Misturada (TMR), e não pela presença da leguminosa em si.
Em outras palavras, a atenção do produtor deve estar voltada para o equilíbrio da dieta e o manejo nutricional adequado, garantindo uma transição alimentar correta e o balanceamento da ração. Assim, é possível aproveitar todo o potencial da soja como fonte proteica sem comprometer a saúde dos cascos do rebanho.